Os critérios para avaliar os padrões estão são divididos em várias categorias. Esse esquema de categorias pode ser discutido, e, certamente, outros agrupamentos são possíveis e defensáveis. No entanto, após de estudar de vários grupos de critérios e/ou padrões em programas de avaliação e certificação internacionais, chegou-se à conclusão de que era possível dividir os critérios de avaliação dos padrões em dois grupos: o primeiro relacionado à natureza organizacional e às características da instituição oferecendo os programas, e o segundo composto pelos critérios ligados ao programa em si sendo desenvolvido pela instituição.
Portanto, distinguimos:
Este segundo grupo pode ser dividido em quatro sub-categorias:
A. Critérios Institucionais para a Avaliação de Excelência na Organização do Programa
O seguinte conjunto de critérios aplica-se ao nível institucional e pode ser visto como pré-requisito ao cumprimento de programas de excelência.
1. Processo de planejamento estratégico: o programa deve desenvolver e atualizar de maneira sistemática uma estratégia de acordo com seu objetivo escolhido ou designado. Esse processo deve abordar as atividades do programa nas áreas de ensino, treinamento, pesquisa e serviços públicos. Esse processo deve resultar na formulação de clara uma missão para o programa.
2. Estrutura Financeira e Orçamentária: deve haver uma estrutura financeira e orçamentária eficiente e transparente em que os responsáveis pelo programa tenham nítido controle orçamentário.
3. Sistema de garantia de Qualidade: o programa deve ter um sistema de garantia de qualidade adequado (contínuo, circular e abrangente) e formalizado (estratégia, política e procedimentos), no qual esteja assegurada a participação dos grupos interessados relevantes. Os resultados desse sistema devem estar disponíveis ao público.
4. Sistema de Gestão de Recursos Humanos (GRH): o programa deve ter um sistema GRH adequado, no que se refere a remuneração, desenvolvimento e envolvimento das pessoas, (especialmente o desenvolvimento de habilidades relacionadas à formação e experiência internacionais). Além do mais, o corpo docente e os funcionários devem refletir a diversidade da população do país.
5. Contribuição à Disciplina: de acordo com a missão do programa ou da instituição, que o corpo docente receba apoio e estímulo adequados para gerar e divulgar novos conhecimentos na disciplina de administração pública e nos campos afins.
6. Diversidade Social e Cultural: a política e a prática de pessoal devem refletir e promover a diversidade social e cultural.
7. Instalações: Deve haver instalações adequadas no que diz respeito à biblioteca, equipe de suporte, salas de aula e equipamento utilizado para aulas, sistemas de e-learning, e salas para docentes e (quando aplicável) instalações para residência. As instalações devem ser acessíveis aos portadores de necessidades especiais.
8. Serviços para os estudantes: a instituição deve oferecer aos alunos serviços de boa qualidade, ao menos no que diz respeito a aconselhamento individual ou tutoria e assistência para conseguir emprego.
9. Relações Públicas: os programas devem possuir um sistema de relações públicas que oferece informação adequada, correta e objetiva sobre suas tarefas, objetivos e estrutura, os programas específicos oferecidos e seus respectivos custos, os benefícios oferecidos e o desempenho geral do programa e da instituição.
10. Reclamações: a instituição deve ter sistema adequado (justo, acessível) para lidar com reclamações.
11. Função exemplar: o programa deve ser manejado como uma organização pública exemplar.
12. Benchmarking: regularmente, o programa deve comparar seu funcionamento com o de outras organizações de excelência.
B. Critério de Avaliação de Excelência Programática
O segundo grupo de critérios de avaliação dos padrões aplica-se aos aspectos substantivos dos programas. Aqui estão quatro sub-grupos distinguíveis: critérios de avaliação de padrões para o desenvolvimento de programas, gerenciamento de programas, conteúdo de programas e desempenho de programas.
B1. Desenvolvimento e Revisão do Programa
1. Processo de Desenvolvimento e Revisão do Programa: deve haver um processo adequado tanto para o desenvolvimento quanto para a revisão do programa, envolvendo a todos os interessados.
2. Objetivos e Metas do Programa: o desenvolvimento ou revisão do programa deve resultar em metas e objetivos programáticos claros e realísticos, incluindo a identificação do público alvo e o nível de atividade; o ideal é que os objetivos sejam formulados como competências ou resultados de aprendizado (conhecimento, habilidades e atitudes) a serem obtidos. Essas metas e objetivos podem assumir a forma de uma missão programática.
3. Estratégia Educacional: com base nas metas, objetivos, nível e público alvo, uma estratégia educacional adequada deve ser elaborada. Merece abordagem especial o equilíbrio entre teoria e prática. Devem ser utilizados métodos de ensino variados. Os métodos de ensino devem ser “baseados em evidências”, na medida do possível. Quando elementos de e-learning forem utilizados no programa, merecem atenção especial.
4. Desenho do Programa: a estratégia educacional, de metas e objetivos deve resultar num desenho de programa incorporando os componentes, horários, tarefas e avaliações programáticas.
5. Coerência e Consistência do Programa: o programa deve ser coerente e consistente, e o aluno deve ser capaz de cumprir com suas exigências dentro do prazo previsto. Deve ficar clara a relação dos objetivos, competências e/ou resultados de aprendizado com os elementos, tarefas e avaliações do programa.
6. Corpo Docente do Programa: o corpo docente principal deve incluir pessoas com experiência acadêmica e não-acadêmica. Na sua maior parte, docentes que ensinam nos programas de pós-graduação devem ser diplomados e estar engajados de forma ativa em pesquisa, serviços, e, quando apropriado, atividades de consultoria. Profissionais de preparo adequado devem estar envolvidos em todos os programas acadêmicos e/ou de treinamento.
7. Número de docentes/funcionários: deve haver ao menos quatro docentes de tempo integral responsáveis pela parte principal do programa, ou até mais docentes, dependendo da missão, tamanho e escopo do programa.
8. Envolvimento em pesquisa: o quadro a equipe/docentes responsáveis pela parte principal de qualquer programa que confere grau deve dedicar parte importante de seu tempo à pesquisa e ao comunitário.
9. Admissão ao Programa: deve haver um procedimento de admissão adequado, transparente e justo, com os critérios de admissão publicamente disponíveis.
B2 Conteúdo do Programa
1. Consistência e Coerência do Programa: o conteúdo do programa deve fluir logicamente através das ira lógica das metas, objetivos e estratégia educacional.
2. Nível do Programa: o conteúdo deve adaptar-se ao apropriado nível do público alvo.
3. Exigências Formais do Programa: o conteúdo deve abranger os elementos prescritos nos requisitos para obtenção de um certificado ou título.
4. Base do Programa: o conteúdo do programa deve, de acordo com seu nível, refletir insights e conceitos, teorias e métodos internacionais de vanguarda. Na medida do possível, os métodos/procedimentos/políticas ensinados devem estar baseados em evidências.
5. Multidisciplinariedade: o conteúdo do programa deve refletir a base multidisciplinar da área de administração pública.
6. Experiência Prática: programas que concedem grau devem ser estruturados de maneira a assegurar que todos os seus graduados tenham experiência estruturada no setor público ou no setor que não visa a lucro.de fins não-lucrativos.
7. Consulta à Comunidade: No desenvolvimento tanto de programas de treinamento quanto os de concessão de grau, as necessidades das organizações para as quais os indivíduos estão sendo preparados são de importância crucial. Para realizar este objetivo deve haver consulta e diálogo apropriados.
8. Componentes do currículo: O programa de estudos ou currículo deve realçar as competências, valores, conhecimento e habilidades para agir de maneira ética, balanceada, efetiva e eficiente. Subordinados à missão do programa, esses componentes devem incluir:
Gestão de Organizações de Serviço Público:
- Gestão de Recursos Humanos
- Processos financeiros e orçamentários
- Gestão de informações, novas aplicações tecnológicas, e políticas
- Direito Administrativo e Constitucional
- Habilidades eficazes de comunicação
- Conceitos e comportamentos de organizacionais e gerenciais
- Relacionamento com o setor privado e com o setor que não visa a lucro e gestão de doações
Melhoria em Processos do Setor Público
- Desenvolvimento de organizações de excelência
- Gestão de redes e parcerias
- Oferta de bens e serviços públicos
- Gestão de projetos e contratos
- Apoio à diversidade dos empregados
- Motivação e modelagem de organizações do setor público
Liderança no Setor Público:
- Resolução de problemas de maneira criativa e inovadora
- Liderança e transformação institucional e organizacional
- Estratégias de Prevenção de Conflitos e Resolução de Estratégias
- Promoção de oferecimento eqüitativo de serviços
- Desenvolvimento de abordagens para o alívio da pobreza
- Promoção do desenvolvimento democrático das instituições
- Ética do Setor Público
Aplicação de Análise Quantitativa e Qualitativa:
- Economia institucional e de desenvolvimento
- Formulação, análise, implementação e avaliação de políticas e programas
- Tomada de decisões e resolução de problemas
- Planejamento estratégico
Compreensão de Políticas Públicas e do Ambiente Organizacional:
- Instituições e processos políticos e legais
- Instituições e processos sociais e econômicos
- Contexto histórico e cultural
- Gestão do desenvolvimento econômico
- As implicações de um governo de terceira parte
- Reconhecimento e reconciliação da diversidade cultural
Essas exigências de área não prescrevem cursos específicos. Também não implicam que a mesma carga horária seja destinada a cada área ou que todos esses cursos devem ser oferecidos nos programas de assuntos públicos, política pública ou administração pública. Nem devem ser interpretadas de maneira a impedir o desenvolvimento de pontos fortes ou de áreas de especialização, em cada programa.
9. Existem outros critérios relevantes para a avaliação da excelência dos programas. Tais critérios se referem aos aspectos mais gerais do programa e contribuem para as metas mais abrangentes que são fundamentais ao bem estar de qualquer sociedade. Consequentemente, programas que preparam indivíduos para o setor público, ou que ajuda, a melhorar suas habilidades, devem possuir conteúdo que aborde o seguinte:
Valores do Setor Público: todos os programas de treinamento e educação produzidos para o setor público devem contribuir para o desenvolvimento de indivíduos com valores verdadeiros do setor público, que podem ser caracterizados como possuidores de conhecimento e compreensão da importância de um setor público efetivo, contendo o seguinte:
● Valores democráticos
● Respeito aos direitos individuais e humanos básicos
● Justiça social e a distribuição equitativa de bens e serviços
● Diversidade social e cultural
● Transparência e accountablility
● Desenvolvimento sustentável
● Justiça e imparcialidade organizacional
● Reconhecimento de interdependência global
● Engajamento Cívico
Habilidades do Setor Público: programas de treinamento e formação que preparam indivíduos para o setor público devem possibilitar (com relação às metas e ao nível do programa) aos participantes construírem a capacidade pessoal para o seguinte:
● Pensamento Crítico e Analítico
● Lidar com Complexidades
● Flexibilidade
● Lidar com incertezas e ambigüidades
● Operar num ambiente político
● Construir organizações de excelência
● Envolver outros grupos e instituições da sociedade para realizar as metas das políticas
● Aprendizagem contínua
● Aplicação de experiências de vida para atividades acadêmicas e de treinamento
Natureza do Setor Público: programas de formação e treinamento produzidos para o setor público (com relação às metas e ao nível do programa) devem abordar:
● Internacionalização e globalização
● O equilíbrio entre centralização e descentralização
● Impacto das organizações e dos acordos multinacionais
● Enfraquecimento do Estado (a influência dos cortes e do novo gerenciamento público)
● Novas formas de comunicação e seu impacto
● Governança colaborativa
B3 Gerenciamento e Administração do Programa
Outro conjunto de critérios para avaliar padrões está relacionado ao gerenciamento de programas:
1. Responsabilidades pelo Programa: Deve haver uma estrutura clara de responsabilidades pelo Programa.
2. Orçamento do Programa: o orçamento (em termos de finanças, pessoal e instalações) deve ser adequado para alcançar as metas e objetivos do programa.
3. Administração do Programa: deve haver administração adequada do programa.
4. Progresso dos Participantes: deve haver acompanhamento adequado do progresso do aluno que seja disponível ao aluno individualmente.
5. Avaliação: o desempenho dos alunos deve ser avaliado adequadamente, de preferência em termos das competências obtidas. Os alunos devem ser avaliados utilizando critérios, regulamentações e procedimentos publicados, aplicados de maneira consistente, e devem ter acesso ao procedimento padrão com relação a assuntos ligados a seu desempenho.
6. Informação sobre o programa: os alunos devem ter acesso à informação atualizada e pontual sobre o programa.
7. Avaliação do corpo docente: os docentes envolvidos no programa devem ser periodicamente avaliados.
8. Comunicação: deve haver um sistema de comunicação adequado entre todas as pessoas envolvidas (alunos, docentes, equipe).
9. Consistência na apresentação: No caso do oferta múltipla de cursos, deve ser garantida a consistência da apresentação.
10. Revisão e monitoramento do programa: deve haver um sistema adequado (contínuo, circular e abrangente) de monitoramento (avaliação de cursos e do programa) e de revisão do programa por todos os participantes interessados. Esse sistema deve ser consistente com o sistema geral de garantia de qualidade da instituição.
B4 Realização do Programa
1. Sistema de Medida de Desempenho: deve haver um sistema adequado de medida de desempenho do programa. O sistema de medida de desempenho do programa deve estar relacionado aos objetivos do programa e, se possível, conter um sistema de benchmarking.
2. Satisfação: a satisfação com o programa do ponto de vista dos envolvidos (alunos, graduados e empregados) deve ser avaliada regularmente.
3. Informação operacional básica: informação sobre dados relevantes (dependendo do tipo de treinamento ou de formação) como o número de participantes, cobertura de público alvo, trancamentos, tempo médio de estudo, deve estar prontamente disponível.
4. Metas específicas: se existem metas específicas a serem atingidas, o desempenho deve ser medido de acordo com essas metas. As metas devem ser estabelecidas pela própria instituição, mas também por outras instituições externas de relevância.
5. Benchmarking: O desempenho do programa deve ser comparado com o de outros programas relevantes quando possível.
6. Impacto sobre a comunidade: Deve ser medido e avaliado o impacto do programa sobre a comunidade, de maneira apropriada à missão do programa.
7. Desempenho financeiro: Dependendo dos arranjos institucionais, informações sobre o desempenho financeiro do programa, como custo por aluno e retorno sobre o investimento (em termos de tempo, esforço e financiamento) deve ser disponibilizada.
8. Impacto do Programa: Esforços regulares devem ocorrer para obter avaliações das organizações para as quais os indivíduos estão sendo formados e/ou treinados. Os resultados desses esforços de avaliação devem ser utilizados de maneira a ajustar a atividade do programa de formação e treinamento no sentido de melhorar sua efetividade e assegurar boas respostas.